MARÇO LILÁS
No Brasil, a Atenção Primária à Saúde (APS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), funciona como a principal porta de entrada e a primeira linha de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). No combate ao câncer de colo de útero, essa estrutura se torna a ferramenta mais eficaz para a prevenção, garantindo que o diagnóstico ocorra antes mesmo do surgimento de sintomas graves.
Ingrid Leite, enfermeira, especialista em Saúde Coletiva e docente do curso de Enfermagem da UNAMA Santarém, detalha como o sistema está estruturado para receber, encaminhar e tratar as pacientes, vencendo barreiras como o medo e a falta de informação. De acordo com a profissional, a Equipe de Saúde da Família tem o papel fundamental de orientar e acolher a mulher. Nesse cenário, os Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) são peças-chave, atuando diretamente no território para identificar quem precisa realizar o rastreamento.
“O trabalho começa na comunidade. Os ACSs identificam as mulheres na faixa etária prioritária e reforçam a necessidade do exame preventivo. É um processo educativo, o qual visa garantir que nenhuma fique sem assistência por falta de conhecimento sobre como acessar o serviço”, explica a especialista.
O papel do Papanicolau
O foco central da prevenção na Atenção Primária é o exame preventivo, conhecido como Papanicolau. De acordo com Ingrid, a UBS é o local onde esse procedimento é realizado de forma rotineira e segura. “A orientação correta é vital, pois muitas mulheres ainda têm dúvidas ou receios. O papel da enfermagem na UBS é explicar que este é um procedimento simples, capaz de identificar lesões precursoras. Se tratadas precocemente, impedem o desenvolvimento do câncer”, reforça a enfermeira.
Além do exame, a APS atua na base da prevenção por meio da vacinação contra o HPV para o público elegível. Essa é uma forma de combater o principal agente causador da doença antes mesmo da exposição ao vírus.
Fluxo de atendimento e regulação
A especialista esclarece que, após a coleta do preventivo na UBS, o fluxo segue um caminho ordenado dentro do SUS. Caso o resultado apresente alguma alteração, a Atenção Primária aciona o sistema de regulação para encaminhar a paciente à atenção especializada.
“O SUS está preparado para esse encaminhamento. Quando detectamos uma alteração, a paciente é direcionada para exames complementares e consultas especializadas. Esse fluxo busca garantir que a informação correta vença o medo e a mulher receba o tratamento adequado no tempo certo”, pontua Ingrid Leite.
Segundo a enfermeira, um dos maiores desafios é a baixa adesão por conta do preconceito ou do temor em relação ao diagnóstico. Contudo, o acolhimento humanizado nas UBSs permite quebrar esse ciclo. “Ele é feito para a paciente se sentir segura. Explicamos que o preventivo não é apenas para 'descobrir uma doença', mas para garantir a saúde e longevidade”, afirma.
Ações de promoção da saúde
A atuação integral da Atenção Primária também envolve a promoção de hábitos saudáveis e a educação em saúde. Durante o Março Lilás, as ações são intensificadas para aproximar a comunidade dos serviços disponíveis, reforçando que o cuidado deve ser contínuo e não apenas pontual.
“A prevenção é um ato de cuidado com o seu futuro. Não espere sentir desconforto para procurar ajuda. A UBS mais próxima está de portas abertas com profissionais prontos para orientar e realizar o preventivo. A informação correta salva vidas e o SUS é o maior aliado nesse caminho”, comenta a especialista.

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